domingo, 24 de abril de 2011

Um "tantinho" de Luís Fernando Veríssimo..

Escrevi uma vez que era um cético que só acreditava no que pudesse tocar: não acreditava na Luiza Brunet, por exemplo. Cruzei com a Luiza Brunet num dos camarotes deste carnaval. Ela me cobrou a frase, e disse que eu podia tocá-la para me convencer da sua existência. Toquei-a. Não me convenci. Não pode existir mulher tão bonita e tão simpática ao mesmo tempo. Vou precisar de mais provas.

Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.

Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.

Nunca usei bombacha, não gosto de chimarrão e nem de me lembrar da última vez que subi num cavalo. Aliás, o cavalo também não gosta.
Luís Fernando Veríssimo

sábado, 2 de abril de 2011

Luzes entre sombras

É noite medonha e escura,
Muda como o passamento,
Uma só no firmamento
Trêmula estrela fulgura.


Fala aos ecos da espessura
A chorosa harpa do vento,
E nem canto sonolento
Entre as árvores murmura.


Noite que assombra a memória,
Noite que os medos convida,
Erma, triste, merencória.


No entanto...minha alma olvida
Dor que se transforma em glória,
Morte que se rompe em vida.


Machado de Assis
"Falenas"
Retirado do blog Flores e Livros http://vivian-floreselivros.blogspot.com/